9as Jornadas de Pneumologia do Algarve juntaram profissionais dos cuidados de Saúde hospitalares e cuidados de Saúde Primários em Vilamoura
Mais de uma centena de profissionais dos cuidados de saúde primários e hospitalares participaram nas 9as Jornadas de Pneumologia do Algarve para Medicina Familiar, organizadas pelo Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar do Algarve, entre os dias 31 de março e 1 de abril de 2017 em Vilamoura, com objetivo de promover o debate e a troca de experiências nesta área e assim contribuir o reforço da articulação entre os cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares na prevenção e no tratamento das doenças pulmonares obstrutivas crónicas.
No decorrer da sessão oficial de abertura, na presença do Presidente da comissão organizadora das Jornadas, Dr. Ulisses de Brito e do Secretário- Geral das Jornadas, Dr. Pedro Moura Reis, o Presidente do Conselho Diretivo da ARS Algarve IP, Dr. Paulo Morgado, destacou a importância que este tipo de iniciativas assumem ao contribuírem para «aproximar os serviços hospitalares dos médicos de medicina geral e familiar e das equipas de saúde» e, desta forma, «criarem laços que aqui são informais mas que depois contribuem para que as coisas funcionem melhor no acompanhamento dos doentes» nesta área «tão importante como a pneumologia e no tratamento das diversas patologias ligadas à função respiratória».
Lembrando que «as patologias ligadas à função respiratória são umas das principais causas de morbilidade crónica, de perda de qualidade de vida e de mortalidade, e, simultaneamente, são responsáveis por uma elevada frequência de consultas médicas, de idas às urgências e por um elevado internamento hospitalar», o dirigente da ARS Algarve sublinhou «o papel fundamental que as equipas de saúde familiar assumem, não só pela atenção dada ao nível da prevenção e do acompanhamento mais próximo dos seus utentes, mas também porque contribuem para um diagnóstico precoce mais rigoroso e desta forma conseguem reduzir o impacto destas doenças na qualidade de vida das pessoas».
Na sua intervenção, o Presidente da ARS Algarve IP aproveitou para realçar o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos na Região na área da prevenção e controlo das doenças respiratórias, dando como exemplo «a aposta na formação em intervenção intensiva na cessação tabágica de profissionais dos ACES» promovida pela Equipa de Coordenação Regional do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo, que «permitiu o alargamento do número de consultas de apoio intensivo à cessação tabágica nas várias unidades dos três ACES e na unidade hospitalar de Faro do CHA».
No mesmo âmbito, o Dr. Paulo Morgado destacou ainda que «tem sido dado especial atenção também à prevenção do consumo do tabaco entre as crianças e os jovens em idade escolar e mulheres grávidas com a realização de ações de sensibilização e atividades de promoção de estilos de vida saudáveis», sublinhando «o trabalho desenvolvido pelas equipas de Saúde Escolar e pelas unidades de saúde pública dos ACES, com a implementação e apoio de projetos locais de prevenção do tabagismo junto da comunidade escolar e de ações sensibilização e fiscalização dos estabelecimentos de restauração localizados perto das escolas».
Por seu lado, o Presidente da Comissão organizadora das Jornadas e Diretor do Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar do Algarve, Dr. Ulisses de Brito, mostrando-se bastante satisfeito pelo elevado número de participantes, destacou o método «informal» e a «componente prática na atualização dos temas mais importantes e prementes de discussão na área da pneumologia» como as principais razões para o êxito deste encontro e que, deste modo, permitem uma partilha de experiências e uma abordagem profunda das diversas patologias associadas à função respiratória com vista a melhorar o trabalho desenvolvido por todos os profissionais diariamente nesta área.
A utilização de inaladores, a vacinação, as indicações e a interpretação da espirometria, as novas atualizações no tratamento das Doenças Pulmonares Obstrutivas Crónicas (DPOC), foram alguns dos temas em debate, assim como a apresentação e discussão de diversos casos clínicos.
De destacar ainda, a apresentação por parte da Equipa Coordenadora Regional do Programa Nacional de Prevenção e Controlo do Tabagismo, do Departamento de Saúde Pública e Planeamento da ARS Algarve, dos resultados do estudo GYTS (Global Youth Tobacco Survey) realizado em 2016 na Região do Algarve.
O Estudo abrangeu um total de 60% das escolas da rede de ensino público da região (do 3.º ciclo do ensino básico e do ensino secundário), designadamente 2.709 alunos elegíveis frequentando o 3.º ciclo e de 2.027 alunos elegíveis frequentando o ensino secundário (correspondente a cerca de 11% dos alunos existentes na região), com idades compreendidas entre os 11 e os 17 anos. A taxa global de resposta foi respetivamente de 55% e de 62%. No desenho da amostra, realizado em duas fases, foram selecionadas previamente 25 escolas do 3.º ciclo e 17 escolas do ensino secundário, de entre as que detinham maior n.º de alunos, seguindo a metodologia previamente aplicada no estudo internacional GYTS realizado em 2013. Numa segunda fase foram selecionadas as turmas aleatoriamente (ordenadas por tipo e nível de ensino), bem como os alunos considerados elegíveis para participar no estudo.
Deste estudo destacam-se como principais conclusões:
- A iniciação ao uso de cigarros em idade precoce;
- A variação das prevalências do consumo de produtos do tabaco entre géneros revela-se mais expressiva em idades mais precoces (3.º ciclo do ensino Básico), registando-se consumos mais elevados nas raparigas;
- As prevalências de consumo de produtos do tabaco obtidas para o ensino secundário são significativamente superiores, quando comparadas com o 3.º ciclo do ensino básico (diferencial de cerca de 18%);
- Um n.º significativo de estudantes refere encontrar-se exposto ao fumo do tabaco em casa e em locais públicos (cerca de 40-60%);
- Parte dos estudantes refere exposição a publicidade promocional de produtos do Tabaco nos locais de venda (cerca de 20-30%), apesar da sua proibição legal.



